Diretamente do blog Tecneira, por Rafael Barifouse
“Ser inovador não depende muito de conhecimento, de dinheiro ou do tamanho do mercado em que se está”, disse o consultor americano Jay Paap na palestra de abertura da 8a Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, realizada ontem em Belo Horizonte. “A peça-chave é como você encara a inovação”.
O que o consultor costuma ouvir mais de seus clientes é que eles não precisam inovar, pois são líderes em suas áreas e há tempos ganham dinheiro com o modo como operam. Mas o que eles faziam antes não serve mais para um mundo global e supercompetitivo como o de hoje. A concorrência não está só em outras empresas de uma indústria, mas em todos que oferecem um produto ou serviço com o qual o cliente de uma companhia pode gastar o dinheiro que daria a ela. “Ser global é ter sempre alguém de olho no seu mercado”, afirmou Paap. “Se você não prestar atenção às necessidades de seus clientes, alguém vai fazer isso por você”.
Um obstáculo para isso costuma ser o medo. Inovar é visto como um processo penoso e caro demais. O consultor reconhece que ter um departamento de pesquisa e desenvolvimento próprio ajuda uma empresa, mas este não é o único meio de inovar. Ele usa uma fabricante de pisos do Equador com que trabalhou para ilustrar seu ponto de vista. Em uma viagem à Itália, um executivo da companhia descobriu um novo tipo de piso e novos usos para este tipo de produto. Voltou cheio de idéias para casa, buscou a tecnologia e transformou-a em mercadoria. Como resultado, a empresa de pisos que fazia e ganhava mais ou menos o mesmo que todas as outras do mercado se tornou uma das mais inovadoras e bem sucedidas do país. “Inovação é conectar uma necessidade a uma tecnologia, como fazem tantos garotos de universidades”, disse Paap, em referência à corrente de pensamento defendida pelo MIT (Massachussets Institute of Technology), no qual estudou e ensina.”Não se precisa de muito dinheiro, mas de criatividade”.
RISCOS
O medo dos executivos atendidos por Paap ainda esbarra em outra barreira: riscos. Segundo ele, uma forma de minimizar possíveis prejuízos é fazer parcerias com outras empresas. Também ajuda ter uma equipe técnica apaixonada pelo que faz, mas sem relegar a eles questões estratégicas, como o tipo de tecnologia a ser empregada em um processo. “Pessoas apaixonadas tomam decisões ruins”, disse ele. O ideal é ter de duas a três idéias pinoeiras e promissoras em andamento e esperar que uma delas dê certo. Levar à frente projetos que não encontram normalmente apoio também é fundamental. “Se você não investe sem saber se vai dar certo, você nunca será inovador”, afirmou Paap. Se o resultado de uma pesquisa não se aplicar a área de negócios de uma companhia, é sempre possível licensiar a nova tecnologia, serviço ou produto. Ou talvez isso agregue valor a outras pontas soltas de sua área de pesquisa.
O que Paap mais condena é ater-se a um plano e esperar que ele saia como previsto. Se há riscos, há possibilidade erros. Um bom gestor é aquele que premia em vez de demitir um pesquisador que assumiu estes riscos e falhou. É o que ele chama de executivo-executor, o profissional capaz de executar uma idéia até implementá-la ou de acabar com um projeto sem futuro. Com este aprendizado em mente, segundo Paap, cabe avaliar se vale a pena continuar ou não: “Inovação não é uma partida de futebol: vencer não é tudo”.
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