Dando continuidade ao post anterior, que trata especificamente a guerra de padrões, sigo comentando o texto de Shapiro e Varian. Afinal, o que é preciso para ganhar uma guerra de padrões? Os autores indicam sete ativos fundamentais:
1) controle sobre uma base instalada de usuários: o controle de uma base instalada pode ser utilizado para bloquear a fixação cooperativa de padrões e forçar uma guerra de padrões. É o caso da Microsoft, que tem uma ampla base de clientes leais ou aprisionados.
2) direitos de propriedade intelectual: para Shapiro e Varian, em geral, as patentes são mais fortes que os direitos autorais, mas os direitos autorais sobre o software de computador que possam ser usados para bloquear a compatibilidade podem ser muito valiosos.
3)capacidade para inovar: “se você tem um grupo de P&D de primeira, pode valer a pena fazer sacrifícios hoje se você acha que pode ultrapassar seus concorrentes no longo prazo; em geral é do interesse da HP comprometer-se com padrões, uma vez que ela pode ultrapassar a concorrência em termos de engenharia quando o padrão for definido”
4) vantagens de ser o primeiro a agir: o exemplo é o da Canon, que ao criar o mercado de impressoras pessoais a laser, continuou a dominar a fabricação de motores e impressoras a laser - em parte por explorar a curva de experiência para manter os custos mais baixos e a qualidade mais alta do que seus concorrentes
5) capacidade de fabricação: se você tem custos baixos como produtor, graças ou a economia de escala ou à competência industrial, você está em uma posição forte. Aqui os autores apontam Compaq e Dell como dois bons exemplos.
6) força em produtos complementares: “se você fabrica um produto que constitui um complemento significativo para o mercado em questão, você terá uma forte motivação para dar partida no movimento vitorioso. Isso também o coloca em uma posição de liderança natural, uma vez que a aceitação da tecnologia estimulará as vendas de outros produtos que você fabrica.
7) reputação e prestígio da marca: ambas têm valor especial nos mercados de redes
"Information Rules" é um livro que ainda faz muito sucesso, principalmente na área de economia da informação. Porém, mais importante que pontuar ativos é debater até que ponto a visão dos auores é válida.
Carl Shapiro: atual professor de estratégia na Haas School of Business da Universidade da Califórnia, em Berkeley e diretor do Institute of Business and Economic Research.
Hal R. Varian: atual reitor da School of Information Management and Systems da Universidade da Califórnia em Berkeley e professor especialista em microeconomia de Economia da Haas School of Business.
* Acesse nossa playlist e assista uma palestra de Hal Varian na sede do Google, na Califórnia.
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