sábado, 7 de junho de 2008

Open Innovation e Venture Capital – Palestra na FGV

No dia cinco de junho, o André Saito e eu realizamos uma palestra aberta na FGV para discutir com um público de cerca de 60 pessoas - especialmente estudantes, professores e empreendedores interessados no tema de Inovação e Venture Capital,a relação entre o modelo Open Innovation e o Venture Capital. O evento foi organizado pelo GVcepe (Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas), Forum de Inovação e Allagi.

Os principais pontos discutidos com público foram:

(1) O Closed Innovation (integração vertical do P&D) foi uma abordagem de sucesso adotada pela empresas para o desenvolvimento de inovações radicais (Chandler 1991) e (Leifer et al, 2000). Consideramos a seguinte definição de inovação radical: (a) novo para o mundo em termos de características de desempenho, (b) melhora significante em características conhecidas (5-10 vezes) e (c) redução significativa de custos (30-50%)

(2) O crescimento do Venture Capital é um dos grandes fatores de erosão do Closed Innovation e favorece a criação de um ambiente de Open Innovation (Chesbrough, 2003)

(3) A lógica do investidor de Venture Capital é buscar negócios de alto impacto (grande potencial de crescimento) aceitando maiores riscos.

(4) O sucesso da indústria de Venture Capital depende da existência de um ecossistema similar ao ecossistema que sustenta o Open Innovation:

Para que uma indústria de Venture Capital exista em um determinado sistema é necessário que haja um ambiente onde estejam presentes os seguintes elementos: disponibilidade de fomento a pesquisa e desenvolvimento tecnológico, ou seja, universidades e agências de fomento; um ambiente que suporte novos empreendimentos como incubadoras de empresas e parques tecnológicos; volume de empreendedores e pessoas dispostas e capazes para deixar suas carreiras e aventurar-se em criar novos empreendimentos; opções de saídas para o investidor Venture Capital como grandes empresas e mercado de capitais; investidores institucionais e gestores de fundos de Venture Capital, e, naturalmente, assessores, advogados e consultores especializados para viabilizar todo esse processo.
Do outro lado, o que Chesbrough propõe como fatores de erosão do Closed Innovation e, portanto, é o que sustenta o surgimento do Open Innovation são: aumento da mobilidade de mão-de-obra qualificada; aumento da qualidade de formação de especialistas em todo o mundo; melhora do nível e participação das universidades e centros de pesquisa no desenvolvimento tecnológico; surgimento de mercado intermediário de inovação e comunidades de inovação; maior distribuição do “trabalho da inovação”; a ruptura de posições de oligopólios tradicionais; a diminuição da hegemonia dos EUA e Europa, e o fortalecimento e acentuado crescimento da indústria de Venture Capital.

(5) Estamos vendo grandes empresas adotando práticas de Open Innovation associadas diretamente à indústria de Venture Capital para a geração de inovações radicais. Em nossa apresentação, discutimos alguns exemplos e iniciativas de Open Innovation de empresas como Cisco, Procter&Gamble, IBM, Intel, Xerox, Google e Microsoft que se aproximam do Venture Capital e propõe trabalhar em conjunto com empreendedores externos para a criação de inovação.

(6) Terminamos a apresentação discutindo se no Brasil também está se configurando um ambiente propício para o surgimento de iniciativas similares.

O material apresentado segue abaixo:





Chandler, A. D., Jr. (1991). Scale and Scope: The Dynamics of Industrial Capitalism. Cambridge, MA: Belknap Press.
Chesbrough, H. (2003). Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology, Boston, MA: Harvard Business School Press.
Leifer, R. et all (2000). Radical Innovation: How Mature Companies Can Outsmart Upstarts. Boston, MA: Harvard Business School Press.

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