quinta-feira, 19 de junho de 2008
Pequenas empresas investem mais em P&D
Postado por
Claudia Castelo Branco
às
16:34
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Parece clara a idéia que o open innovation é um modelo colaborativo e beneficia todos os agentes envolvidos. No entanto é menos clara a seqüência de eventos em que isso ocorre e a posição dos agentes envolvidos.
O que significa dizer que o P&D nas pequenas empresas subiu de 4,4% para 22,5%? Ou que “os empreendimentos pequenos são vitais no contínuo circular de idéias promovido pelo novo modelo”. Se a importância dessas empresas é indiscutível, a sua posição não parece tão óbvia. Seria possível um modelo em que existissem apenas pequenas empresas? Ou no open innovation sempre existe uma demanda por tecnologia de um agente líder que inicia o movimento em todo o sistema e promove o desenvolvimento tecnológico nos agentes contribuintes?
Nas palestras sobre o tema e breve leitura realizada, entendi que deve haver um agente líder, que parece ser sempre uma empresa de grande porte já consolidada ou, como ocorreu no caso da Omnisys, o Estado como agente líder demandando tecnologia através de compras governamentais.
A dúvida é pertinente: o open innovation poderia atuar num ambiente sem o agente líder? Num ambiente sem grandes empresas ou governo demandando tecnologia?
Se a resposta for negativa devemos refletir melhor o caso brasileiro. Quantas empresas no Brasil seriam capazes de assumir o papel do agente líder? Considerando que, segundo o cadastro central do IBGE 2005 apenas 0,47% (22724 das 4846160) das empresas possuem mais de 100 empregados, temos uma limitante à expansão do open innovation no Brasil.
Sendo assim, as empresas líderes no Brasil, embora fundamentais, não são suficientes para alavancar todo potencial inovador existente nas pequenas e médias empresas de base tecnológica ou nos institutos e universidades.
O caso das compras governamentais também não pode ser tomado como potencial, ainda que tenham propiciado o crescimento da Omnisys, é fato concreto que desde sempre o governo atua de forma incipiente nesta área.
Um cenário possível seria aquele em que as multinacionais ou transnacionais assumiriam, no Brasil, essa liderança. Mas neste caso existem relações delicadas. Em primeiro lugar muitas das filiais brasileiras de multinacionais, que estariam mais aptas a enxergar laços de cooperação com outras empresas, ainda operam como meras receptoras de tecnologia das matrizes. Em segundo lugar as matrizes que operam na busca pelas novas tecnologias têm a possibilidade de vasculhar o mundo todo e tendem a olhar mais atentamente para as empresas dos países que apresentam sistema nacional de inovação mais robusto.
Assim, mesmo que o modelo seja genérico e aplicável a qualquer país seu sucesso dependerá, em grande medida, do número de agentes lideres capazes de iniciar o movimento colaborativo de expansão da inovação.
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