Direto do site da Época Negócios:
A inovação aberta pode mudar o Brasil
O país já tem um grande capital intelectual gerado por centros e universidade, basta que as empresas captarem isso, diz Bruno Rondani, diretor da Allagi Consultoria e organizador do Open Innovation Seminar. O evento discutirá como alianças com outras empresas, clientes, universidades e até mesmo concorrentes pode ajudar companhias a inovar mais rápido, barato e melhor.
O laboratório Cristália tem parcerias com centros de pesquisa públicos para canalizar o bom desempenho financeiro gerado pela fabricação de genéricos para novas tecnologias próprias. Para criar novos produtos, a Oxiteno, fabricante de compostos químicos do Grupo Ultra, criou um conselho tecnológico e cientifico com especialistas de fora da empresa. A necessidade de inovar rapidamente fez a Natura formar um grupo misto de cientistas brasileiros, franceses, alemães e americanos que pensam juntos em como colocar novos produtos no mercado em menos tempo. Esses exemplos são a prova de que a inovação aberta já chegou ao Brasil.
O modelo representa um novo paradigma de como as companhias desenvolvem novas tecnologias e produtos. Ao fazer parcerias estratégicas com universidades e centros de pesquisa, empresas de outros setores, clientes e até mesmo concorrentes, elas inovam mais rápido, barato e melhor. IBM, Google e Procter & Gamble estão entre as grandes companhias internacionais que aplicam esse conceito com sucesso. A implementação de práticas desse tipo pode mudar o país, segundo Bruno Rondani, diretor da Allagi Consultoria. "O conceito é novo lá fora e ainda mais por aqui", diz Rondani. "Mas o Brasil já tem um grande capital intelectual gerado por universidades e centros de pesquisa que pode ser aproveitado pelas empresas caso elas encontrem uma forma de captá-lo". Levantamentos apontam que 70% do investimentos nacionais em inovação são feitos nestes institutos pelo governo.
O consultor acredita que a forma como pesquisadores de centros e universidades encaram as companhias mudou: eles estão mais abertos para cooperar em descobertas e tranformá-las em produtos para o mercado. Cabe às empresas encontrar uma forma de se relacionar com esses pólos, culturalmente distintos do mundo corporativo, para criar valor a partir do conhecimento científico nacional. "Muitas empresas dizem que isso não dá certo, pois os cientistas não respeitam prazos nem entendem o funcionamento de uma companhia", afirma Rondani. "Mas elas também erram ao pensar nesses institutos com a lógica de terceirização em vez de tranformá-los em parceiros estratégicos em redes de inovação". Debruçado sobre estudos e levantamentos sobre o tema, o consultor tem percebido uma mudança nesse cenário: cursos de preparação de executivos para gerir alianças heterodoxas começaram a ser lançados e surgiu um forte interesse de empresas em buscar parcerias para inovar, principalmente nos setores farmacêutico e de tecnologia da informação.
Na próxima segunda-feira (16/6), o surgimento da inovação aberta no Brasil será discutido no Open Innovation Seminar, que ocorrerá em São Paulo. O evento reunirá empresas e especialistas para discutir o modelo e seus impactos na forma de fazer negócios por aqui e lá fora. A abertura do seminário será em grande estilo, com uma palestra de Henry Chesbrough, diretor-executivo do Center for Open Innovation da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e criador o conceito. Chesbrough foi pioneiro ao identificar essa tranformação e relatá-la no best-seller Open Innovation (Inovação aberta, numa livre tradução do inglês). O evento contará ainda com três mesas de discussão: a primeira avaliará iniciativas nacionais na área, a segunda sessão debaterá como esse novo modelo pode tornar mais eficazes as políticas públicas de incentivo à inovação, e a última discutirá como a inovação aberta pode beneficiar não só o setor de pesquisa e desenvolvimento das empresas, mas também suas estratégias de negócios.
SERVIÇO
Open Innovation Seminar
16 de junho
World Trade Center - São Paulo
www.openinnovationseminar.com.br
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