quarta-feira, 25 de junho de 2008

Criação de Programas de Inovação

Progama de Educação Continuada da Escola Politécnica da USP oferece o primeiro curso de treinamento sobre Open Innovation no país

Estão abertas as incrições para o programa de treinamento de Criação de Programas de Inovação: Open Innovation. O curso oferecido pelo Programa de Educação Continuada da Escola Politécnica (PECE) da Universidade de São Paulo e com o apoio do curso de Especialização em Gestão e Engenharia de Produtos - MBA/USP é o único com abordagem exclusivamente voltada ao tema da inovação aberta.

O curso será ministrado em 9 módulos baseados em aulas expositivas, seminários, discussões, palestras e análises de casos. É voltado para profissionais ligados as áreas de P&D, desenvolvimento de produtos, processos ou serviços, engenharia, gestão de operações, desenvolvimento de novos negócios, planejamento estratégico, marketing ou finanças, que atuam ou pretendem atuar em gestão da inovação em empresas de médio ou grande porte. O objetivo é aprimorar o conhecimento dos alunos, a fim de que possam responder de modo mais eficaz às demandas do mercado em termos de prospecção, reconhecimento e implementação de ações diante das oportunidades de inovação nas empresas.

Segundo o Prof. Dr. Paulo Carlos Kaminski, coordenador do Curso de Especialização de Gestão e Engenharia de Produtos MBA/USP, “O curso tem por objetivo auxiliar os profissionais a pensar o processo de inovação através de abordagens mais ousadas e esperando retornos maiores. O problema da inovação não é um problema trivial e o curso pretende oferecer aos participantes uma visão atualizada sobre as práticas mais promissoras de gestão da inovação”.

A idéia do curso se consolidou após o sucesso da palestra proferida por Bruno Rondani e Fabiano Armellini no dia 07 de maio de 2008. A palestra sobre Open Innovation realizada no Anfiteatro da Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da USP bateu recordes de inscrição, conforme divulgou a assessoria da instituição.

Para Bruno Rondani, mestre e engenheiro, sócio-fundador da Allagi e docente do Programa, o Brasil vive um momento favorável para a inovação. “As oportunidades estão abertas, basta sabermos como aproveitá-las. Não há nada que nos impeça de inovar. Temos todas as ferramentas. Precisamos agora de gestores treinados e dispostos a vencer o desafio da inovação. Propomos o Open Innovation como a abordagem central do curso, pois acreditamos ser esse o modelo que melhor representa o atual contexto para inovação”. O corpo docente é composto por mais dois engenheiros, Rafael Levy e Fabiano Armellini, também sócios da Allagi.

As inscrições estão abertas e vão até o dia 10 de julho. Para mais informações sobre o processo seletivo, os interessados podem acessar o site do PECE: http://www.pece.org.br/index.php?ind=curso&menu=ap&nome=CPI.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Open Innovation avança no Brasil

Inovar em segredo é coisa do passado, e empresas brasileiras já perceberam isso. Natura, Embraer, IBM do Brasil, Laboratório Cristália e Omnisys Engenharia são exemplos de empresas que fazem inovação em parceria com outras empresas ou com instituições de pesquisa. Com isso, praticam o modelo de “inovação aberta” – ou “open innovation”, como definiu Henry Chesbrough, diretor-executivo do Center for Open Innovation da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Chesbrough esteve em São Paulo na última segunda-feira (16) para dar uma palestra no Open Innovation Seminar 2008, primeiro evento totalmente dedicado ao tema no Brasil. Organizado pela Allagi Consultoria, o seminário durou todo o dia e atraiu gestores de empresas e empreendedores interessados em novas formas de superar os gargalos tradicionais na implementação de políticas e estratégias inovadoras nas empresas.

“A inovação agora é global” disse Chesbrough, contrastando com o caráter praticamente individual da atividade desde o início do século passado, quando Thomas Edison ou Henry Ford eram paradigmas da inventividade que transformou o planeta. Esse estilo de inovação, centrada na figura do inventor que cria um produto e o desenvolve em segredo até a comercialização, está caminhando para o colapso, na visão de Chesbrough.

Embora a inovação continue sendo o motor para quase a metade do valor do crescimento econômico nos países ricos, Chesbrough avalia que inovar unicamente com laboratórios e funcionários próprios está cada vez mais caro para as empresas. Segundo Chesbrough, em 1971, as empresas com mais de 25 mil empregados eram responsáveis por 70,7% do valor das inovações no mercado, mas despencaram para 40,9% em 2003. Por outro lado, as pequenas empresas, com menos de mil empregados, subiram de 4,4% para os atuais 22,5%.

Uma das razões para essa assimetria, no entender de Chesbrough, é a nova forma adaptativa de lidar com a inovação das pequenas empresas. Com recursos escassos para investir na pesquisa e desenvolvimento cativos, elas apelam para contratos e parcerias externas. “As pessoas inteligentes que trabalham para você precisam falar com outras pessoas inteligentes que não trabalham para você. Esse é o paradigma da inovação aberta”, resume Chesbrough.

As pequenas e novas empresas têm um trunfo natural. “Não é o maior ou mais forte que sobrevive, mas quem se adapta melhor”, lembrou o professor, apontando as vantagens adaptativas das pequenas: foco em um mercado específico, capacidade maior de atender um nicho, capacidade de se especializar, custo de expansão menor e presença quase natural na Internet, onde as empresas podem ser mais globais com custos menores e mais competitivos.

Mas não só as pequenas empresas que proliferam nesse novo ambiente. A Procter & Gamble, gigante da criação de produtos de uso pessoal, era uma das mais tradicionais empresas de P&D fechadas. Resolveu abrir o processo de inovação e hoje tem mais de 50% dela vinda de fora.

Outro exemplo dramático é a transformação radical vivida pela IBM. Em 2007, a Big Blue abriu 500 patentes para que desenvolvedores criassem soluções para seus usuários.

Após a palestra de Henry Chesbrough, o Open Innovation Seminar teve três mesas de discussão. Na primeira, Natura, Embraer, Laboratório Cristália, IBM e Omnisys Engenharia mostraram que já praticam – com excelentes resultados – o modelo de inovação aberta. A Natura, por exemplo, tem cerca de 200 grupos de pesquisa, formados em universidades brasileiras, cadastrados em seu portal Natura Campus. Já a Embraer está desenvolvendo um novo jato com a participação de 16 empresas. “Apanhamos prá burro até descobrir o caminho da ajuda de pesquisadores na universidade e da inovação aberta”, disse Ogari Pacheco, presidente do conselho diretor do Laboratório Cristália.

O seminário contou também com a participação de representantes de entidades empresariais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a entidade que congrega as empresas inovadoras (Anpei) e a que abriga incubadoras e parques tecnológicos (Anprotec). Do setor governamental, teve a participação do presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, Jorge Ávila, e do diretor de Inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Eduardo Costa informou que na próxima quinta feira (dia 19), a FINEP lançará o maior empreendimento de sua história: o programa “Primeira Empresa”, que vai disponibilizar R$ 1,3 bilhão com o objetivo de alcançar pelo menos cinco mil empresas inovadoras, com crédito subsidiado, em alguns casos a juros zero ou sem reembolso.




Balanço – O Open Innovation Seminar 2008 teve resultados francamente positivos. Tanto que a Allagi Consultoria já planeja repetir o evento em 2009, dessa vez com dois dias de programação. Bruno Rondani, diretor da empresa, informou que foram inscritas cerca de 350 pessoas, representando 130 entidades de 13 Estados. “São números excelentes para o primeiro evento sobre um tema ainda novo no País”, avalia Rondani, que destaca ainda “a forte presença da Natura, com a participação de 32 de seus funcionários, e do setor farmacêutico, com oito empresas, além de representantes do Ministério da Saúde e do BNDES”.

O seminário agradou Henry Chesbrough, que se disse “impressionado com o excelente nível dos debates”. Ele elogiou a organização do evento por ter conseguido articular diferentes setores, convidando empresas diversificadas, academia e representantes do governo. “Gostei muito das empresas e tive a oportunidade de aprender sobre o sistema de inovação do Brasil e as oportunidades de empreendedorismo que surgem no País”.

Apresentações do Open Innovation Seminar 2008

Informamos a todos os interessados que já está disponível para visualização e download o material apresentado no Open Innovation Seminar 2008, realizado no dia 16 de junho último.
O evento foi dividido em uma palestra proferida pelo Prof. Henry Chesbrough, autor dos livros Open Innovation e Open Bussiness Models, seguida por três mesas de debates com especialistas.

9h - 9h15: Abertura - Bruno Rondani



9h15 - 11h: Palestra - Henry Chesbrough





11h20 - 13h20: Mesa 1 - Iniciativas de Open Innovation no Brasil

Contou com as presenças de Sônia Tuccori (Natura), Ogari Pacheco (Cristália), Hugo Resende (Embraer), Luiz Henriques (Omnisys) e Cezar Taurion (IBM), sob moderação do Prof. Flávio Vasconcelos (FGV). Seguem as apresentações da Natura e da Embraer:









14h40 - 16h40: Mesa 2 - Open Innovation e o sistema nacional de inovação

Contou com as presenças de Jorge Ávila (INPI), Roberto Nicolsky (Protec), Maria Ângela do Rêgo Barros (Anpei) e Rodrigo da Rocha Loures (FIEP), sob moderação do Prof. João Furtado (Fapesp). A apresentação do INPI segue a seguir:




17h - 19h: Mesa 3 – Empreendedorismo e oportunidades trazidas pelo Open Innovation

Contou com as presenças de Eduardo Coasta (Finep), Roberto Lotufo (Inova-Unicamp), Guilherme Ary Plonski (Anprotec-PGT/USP), Cláudio Furtado (FGVA-GVCepe) e Afonso Cozzi (FDC), sob moderação do Prof. Tales Andreassi (FGV-EAESP). As respectivas apresentações seguem abaixo:


















quinta-feira, 19 de junho de 2008

Pequenas empresas investem mais em P&D

Segundo Henry Chesbrough, de 1981 até 2003, o número de pequenas empresas que investem em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) subiu de 4,4% para 22,5%, e a tendência é a de que cresça ainda mais. "Minha mensagem geral é de que não é preciso ser uma grande empresa para obter grandes resultados. Os empreendimentos pequenos são vitais no contínuo circular de idéias promovido pelo novo modelo", completou o consultor, durante o Open Innovation Seminar.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

The Black Swan

Gostaria de inaugurar as minhas colaborações no Blog Allagi indicando a leitura do livro The Black Swan: The Impact of the Highly Improbable, de Nassim Taleb.
Para aqueles que estão convencidos de que a tônica do mundo contemporâneo são mudanças cada vez mais frequentes, e que a inovação nesse contexto é absolutamente crucial para a sobrevivência de todo e qualquer negócio, o livro tempera ainda mais esse molho.
O autor argumenta que a maior parte dos acontecimentos que impactam profundamente a humanidade são inteiramente improváveis até que ocorrerem. Depois que ocorrem, fica todo mundo com aquela cara de "eu sabia". Eventos como esse, os "Black Swans", esculhambam a estatística. Se os Black Swans são cada vez mais comuns, é certo que as organizações precisarão ajustar seus métodos de planejamento estratégico e se preparar para o improvável.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Inovar em um contexto conservador

** Open Innovation e o Sistema Nacional de Inovação. Acompanhe as considerações dos debatedores:

- Para Rodrigo da Rocha Loures,presidente das Indústrias do Paraná, a inovação passa por cooperação estratégica. "No Brasil temos um grande potencial, que é a interação. A desvantagem é uma forte inclinação para a burocracia, que atrapalha a cooperação". Segundo Loures, é preciso popularizar a inovação, através de políticas públicas e instrumentos que estimulem a cooperação entre P&D e inovação. Outro meio de alcançar essa popularização é através da gestão dos nossos recursos. "É muito dificil ser uma empresa inovadora num contexto conservador, mas temos que aproveitar o momento propício que o Brasil vive para fomentar o empreendedorismo em redes de inovação", finalizou.

- Roberto Nicolsky, diretor geral da Protec, pontuou em sua apresentação que é preciso observar como se deu o desenvolvimento em países como Japão, China e Índia, que através de políticas públicas alcançaram benefícios para a inovação." A política desses países foi baseada em mecanismos políticos e complementares, basicamente no compartilhamento de risco. Ou seja, com o governo representando a sociedade".

- "A inovaçao só acontece quando seu produto é comercializado. No caso da Motorola, uma grande transformação está acontecendo, como a separação entre a produção de celulares e outros produtos.No Brasil, fomos responsavéis pelo lançamento do primeiro celular totalmente feito no Brasil. Esse modelo não veio de fora", afirmou Maria Ângela do Rêgo Barros, presidente da Anpei e gerente de suporte estratégico da Motorola.

- Jorge Ávila, diretor do INPI, falou sobre " Propriedade intelectual e Inovação aberta". De acordo com Ávila, a propriedade intelectual é um sistema que vê como fim o mercado. "Se eu invento algo, a tendência é que eu guarde isso até que tenha chances de comercializá-lo. Na medida que tenho um sistema seguro, isto se torna mais fácil. O sistema de propriedade intelectual é promotor da cooperação,é uma ferramenta que permite estabelecer confiança em uma parceria", concluiu

Open Innovation e o Sistema Nacional de Inovação

Iniciando agora o debate sobre o "Open Innovation e o Sistema Nacional de Inovação". Visando aumentar a competitividade da indústria nacional, as políticas públicas têm focado cada vez mais na criação de mecanismos de incentivo e fomento à inovação. Exemplos desse esforço são: a recente criação da Lei de Inovação e da Lei do Bem, a multiplicação de programas de fomento e financiamento a projetos de inovação a partir de agências federais e estaduais, o incentivo à criação de parques tecnológicos e incentivos fiscais pelos municípios e a criação de núcleos de inovação tecnológica, incubadoras de empresas e escritórios de transferência de tecnologia nas universidades públicas. Observa-se nesses programas uma tendência coerente com o modelo de Open Innovation. Entretanto, faz-se necessário um aprofundamento do debate sobre a aplicabilidade dos conceitos do Open Innovation na formulação dessas políticas públicas.

Para debater como como o modelo de Open Innovation pode contribuir para a criação de programas públicos de incentivo e fomento à inovação, Rodrigo da Rocha Loures, presidente do Conselho Temático (CNI) e presidente da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), Roberto Nicolsky, diretor Geral da PROTEC, doutor em Física pela Universidade do Rio de Janeiro e atualmente professor adjunto da UFRJ, Maria Ângela do Rêgo Barros, presidente da Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras (ANPEI) e gerente de Suporte Estratégico da Motorola Industrial e Instituto de Pesquisas Eldorado,Reginaldo Braga Arcuri, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entidade responsável pela articulação, promoção e execução da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior do País.

Chesbrough comenta modelo aplicado pela IBM

Em 2007, a IBM abriu 500 patentes para que desenvolvedores criassem soluções para seus usuários.Para Cezar Taurion, gerente de Novas Tecnologias da IBM, integrante da Mesa 1, a inovação sempre esteve relacionada aos valores culturais da empresa - responsável pelo desenvolvimento da primeira linguagem de programação e pelo primeiro banco de dados relacional.
"Para nós, da IBM, a inovação é a intersecção entre a invenção e o insight e o open innovation é um modelo abrangente, que está trazendo mudanças significativas na indústria"
Chesbrough comenta os benefícios de um modelo de inovação aberta a partir do exemplo da IBM, que apoia mais de 150 projetos open source, incluindo o Linux.
"O exercício é olhar para o cliente e compreender seu modelo de negócios. O exemplo do open source representa o poder da colaboração, que deve ser separado do pagamento. Quem colabora com uma plataforma aberta, o faz porque deseja compartilhar sua idéia, porque deseja ganhar reputação"

Integração no Open Innovation

" A inovação não se completa enquanto não entra no mercado, ela não é determinada pela tecnologia, mas pela criação e pela captação de valor. Ela não é gerada internamente. A noção de integração se torna uma idéia muito poderosa no modelo open innovation".
O exemplo da Apple foi citado por Chesbrough. "Empresas como a Dell e a Microsoft tentaram concorrer com o IPhone, mas não tiveram sucesso. O que torna o IPhone bem sucedido é a criação de uma plataforma que atende todo o ecossistema, ou seja, vários dispositivos criados, como o IPod, por exemplo.Essa integração é muito poderosa no modelo open innovation, porque não envolve só engenharia, mas marketing, economia, design", pontua o palestrante.

Mais exemplos no cap.6 de Open Business Models

"É preciso colaborar", afirma Chesbrough

Chesbrough pontua em sua palestra as vantagens de ser uma pequena empresa, no âmbito de produtos e serviços:

- foco em um mercado específico
- capacidade maior de atender um nicho
- capacidade de se especializar
- curso de expansão menor.
- com a Internet, as empresas podem ser mais globais com custos menores e mais competitivos
- empresas pequenas possuem perfil empreendedor e menos politicagem interna. Ou seja, é possível tomar decisões e aplicá-las em horas, em dias, ao contrário do que acontece com as grandes empresas.Velocidade gera resultados mais rápidos.

Mas como o open innovation pode ser aplicado nas pequenas empresas?Segundo Chesbrough, é preciso colaborar mais. Muitas empresas pequenas, no modelo open innovation, tornam-se, sim, parceiros importantes.

Algumas questões, entretanto, são colocadas. Como fica a questão da propriedade intelectual? Será que as empresas vão aceitar essas idéias externas?Será que as empresas vão permitir que as idéias internas fluam para outros negócios?As universidades sabem como trabalhar com as indústrias? E as indústrias sabem trabalhar com universidades? O acesso ao capital financeiro e humano é viável? Chesbrough se propõe a responder essas questões fundamentais durante a palestra.

Começa o Open Innovation Seminar

Começa agora o Open Innovation Seminar, com o Prof. Henry Chesbrough, que iniciou sua apresentação agradecendo a oportunidade de estar no Brasil - especialmente à Allagi, Natura, Cristália e demais patrocinadores e apoiadores. "Vou introduzir um pouco sobre minha experiência. Trabalhei dez anos na Quantum, uma pequena empresa que ganhou participação no mercado de discos rígidos. A mensagem que quero deixar é que você não precisa ser grande para ser bom,para ter sucesso. A inovação hoje é muito mais aberta, muito mais distribuída e envolve muito mais colaboração entre as empresas. Se você for capaz de se envolver dessa forma com outras empresas, você pode ter tanto sucesso quando a Quantum teve", disse Chesbrough.
Henry questiona: será que vamos voltar aquele mundo onde as grandes empresas representavam 70% de participação em P&D? " Quero mostrar que estamos em um novo paradigma Sim, teremos ainda grandes empresas , mas as pequenas empresas serão responsáveis pelo equiíbrio. Mais e mais pessoas, ao invés de trabalhar somente para uma empresa, mudam de emprego. E quando você vem de uma empresa para uma nova empresa, o conhecimento vai com você. O conhecimento está em nossas mentes e nós carregamos isso de uma empresa para outra. No caso da Quantum, trouxemos diversas pessoas da IBM, pessoas com experiência, relacionamentos, pessoas com capital humano. Ou seja, este é um novo contrato entre empresas e pessoas, que envolve flexibilidade e colaboração", afirmou.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Natura, IBM, Embraer, Cristália, Omnisys e FGV discutem o Open Innovation

Sônia Tuccori, gerente de P&D e Biodiversidade da Natura, integra o grupo de especialistas e debatedores que compõem a Mesa 1 do Open Innovation Seminar - evento que será realizado segunda-feira, no WTC, em São Paulo. Os investimentos em inovação da Natura giram em torno de R$108,4 milhões. Ogari Pacheco, presidente do Cristália, também integra a Mesa 1. O laborátorio declara investir de 7% a 10% do seu faturamento anual nas atividades de P&D e recebeu em 2007 o prêmio Finep de Inovação Tecnológica pelo conjunto do seu trabalho em pesquisa e inovação.
Representando a IBM, Cezar Taurion, gerente de Novas Tecnologias. Para a IBM, com a globalização dos mercados e a sofisticação dos negócios, não é possível apenas inovar "dentro de casa", em alto segredo. Clientes, fornecedores e especialistas têm muito a contribuir e a ganhar com o aprimoramento de produtos, serviços e processos de negócios.
Hugo Borelli Resende, cientista chefe de Desenvolvimento Tecnológico da Embraer, também participa do debate sobre iniciativas de open innovation no Brasil. A Embraer se vale bastante de parcerias com outras empresas e é um exemplo de eficiência no mercado brasileiro, por praticar uma cultura inovadora que envolve um processo interativo de múltiplos atores em seu ambiente de trabalho.
Também compondo a Mesa 1, Luiz Henriques, presidente da Omnisys, empresa brasileira de eletrônica, que é referência pela sua capacitação no provimento de soluções de alto conteúdo tecnológico nos segmentos aeroespacial, defesa, telecomunicações, científico, atmosférico e ambiental. A empresa também se destaca pelos convênios de cooperação realizados entre universidades e institutos de pesquisa, visando a capacitação de engenheiros pós-graduandos em técnicas e conhecimentos em diferentes especialidades de projetos e tecnologias voltados para a área de radares.
Flávio Carvalho de Vasconcelos, convidado para moderar essa mesa, é Docente Titular da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas na área de Estratégia Empresarial e Coordenador do Centro de Estudos em Estratégia e Competitividade da FGV/EAESP, onde vem desenvolvendo trabalhos em colaboração com a Harvard Business School.

Rondani fala sobre o Open Innovation Seminar

Direto do site da Época Negócios:


A inovação aberta pode mudar o Brasil

O país já tem um grande capital intelectual gerado por centros e universidade, basta que as empresas captarem isso, diz Bruno Rondani, diretor da Allagi Consultoria e organizador do Open Innovation Seminar. O evento discutirá como alianças com outras empresas, clientes, universidades e até mesmo concorrentes pode ajudar companhias a inovar mais rápido, barato e melhor.

O laboratório Cristália tem parcerias com centros de pesquisa públicos para canalizar o bom desempenho financeiro gerado pela fabricação de genéricos para novas tecnologias próprias. Para criar novos produtos, a Oxiteno, fabricante de compostos químicos do Grupo Ultra, criou um conselho tecnológico e cientifico com especialistas de fora da empresa. A necessidade de inovar rapidamente fez a Natura formar um grupo misto de cientistas brasileiros, franceses, alemães e americanos que pensam juntos em como colocar novos produtos no mercado em menos tempo. Esses exemplos são a prova de que a inovação aberta já chegou ao Brasil.

O modelo representa um novo paradigma de como as companhias desenvolvem novas tecnologias e produtos. Ao fazer parcerias estratégicas com universidades e centros de pesquisa, empresas de outros setores, clientes e até mesmo concorrentes, elas inovam mais rápido, barato e melhor. IBM, Google e Procter & Gamble estão entre as grandes companhias internacionais que aplicam esse conceito com sucesso. A implementação de práticas desse tipo pode mudar o país, segundo Bruno Rondani, diretor da Allagi Consultoria. "O conceito é novo lá fora e ainda mais por aqui", diz Rondani. "Mas o Brasil já tem um grande capital intelectual gerado por universidades e centros de pesquisa que pode ser aproveitado pelas empresas caso elas encontrem uma forma de captá-lo". Levantamentos apontam que 70% do investimentos nacionais em inovação são feitos nestes institutos pelo governo.

O consultor acredita que a forma como pesquisadores de centros e universidades encaram as companhias mudou: eles estão mais abertos para cooperar em descobertas e tranformá-las em produtos para o mercado. Cabe às empresas encontrar uma forma de se relacionar com esses pólos, culturalmente distintos do mundo corporativo, para criar valor a partir do conhecimento científico nacional. "Muitas empresas dizem que isso não dá certo, pois os cientistas não respeitam prazos nem entendem o funcionamento de uma companhia", afirma Rondani. "Mas elas também erram ao pensar nesses institutos com a lógica de terceirização em vez de tranformá-los em parceiros estratégicos em redes de inovação". Debruçado sobre estudos e levantamentos sobre o tema, o consultor tem percebido uma mudança nesse cenário: cursos de preparação de executivos para gerir alianças heterodoxas começaram a ser lançados e surgiu um forte interesse de empresas em buscar parcerias para inovar, principalmente nos setores farmacêutico e de tecnologia da informação.

Na próxima segunda-feira (16/6), o surgimento da inovação aberta no Brasil será discutido no Open Innovation Seminar, que ocorrerá em São Paulo. O evento reunirá empresas e especialistas para discutir o modelo e seus impactos na forma de fazer negócios por aqui e lá fora. A abertura do seminário será em grande estilo, com uma palestra de Henry Chesbrough, diretor-executivo do Center for Open Innovation da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e criador o conceito. Chesbrough foi pioneiro ao identificar essa tranformação e relatá-la no best-seller Open Innovation (Inovação aberta, numa livre tradução do inglês). O evento contará ainda com três mesas de discussão: a primeira avaliará iniciativas nacionais na área, a segunda sessão debaterá como esse novo modelo pode tornar mais eficazes as políticas públicas de incentivo à inovação, e a última discutirá como a inovação aberta pode beneficiar não só o setor de pesquisa e desenvolvimento das empresas, mas também suas estratégias de negócios.

SERVIÇO

Open Innovation Seminar
16 de junho
World Trade Center - São Paulo
www.openinnovationseminar.com.br


terça-feira, 10 de junho de 2008

Acompanhe a palestra realizada na FIA

No dia seis de junho, na FIA, Bruno Rondani abordou como o Open Innovation pode ser aplicado pelas empresas estabelecidas no Brasil e como isso já vem sendo feito. Acompanhe a apresentação através dos slides exibidos na palestra. Segundo Rondani, mecanismos de financiamento e incentivos fiscais à inovação configuram-se como o melhor caminho para a expansão do alcance e da capacidade de geração de novas idéias e tecnologias através do open innovation.


CMI Workshop on Open Innovation

Nos dias 22 e 23 de maio tive a oportunidade de participar de um workshop sobre Open Innovation promovido pelo Cambridge-MIT Institute, em Cambridge, Reino Unido.Foi um evento pequeno, com intuito de promover a interação entre pesquisadores juniors e seniors que têm realizado pesquisas sobre o tema.
Ao todo, foram em torno de 60 participantes, representando 10 países (Reino Unido, EUA, Espanha, França, Lituânia, Irlanda, Suécia, Turquia, Alemanha, Holanda), 22 instituições (Universidade de Cambridge, MIT, NESTA, Universidade de Sussex, Universidade de Grenoble, entre outras)) e 7 empresas (IBM, HP, Thomson Reuters Markets, Booz Allen Hamilton, Thomson Tradeweb, Scottish Entreprise, Europarama).
Os principais temas abordados foram: business models; atividades colaborativas de desenvolvimento, open source, tecnologias de informação e comunicação como ferramentas de apoio a Open Innovation e relação universidade-empresa.
Foi uma excelente oportunidade para conhecer pessoas de diversas instituições que têm pesquisado sobre não só Open Innovation em si, termo que se aplica mais à gestão, mas sobre colaboração interorganizacional para P&D como um todo. As empresas participantes também relataram suas experiências e contribuíram para o debate, a partir da exposição de seu aprendizado e dificuldades e limitações do modelo, que não diferem tanto das que enfrentamos no Brasil.
Boa parte das pesquisas apresentadas ainda está em andamento, mas muitas apontam para a difusão das práticas colaborativas, mais do que nunca! O setor de TI ainda predomina entre os trabalhos, mas já há muitos pesquisadores olhando para outros setores, como automobilístico, energético, farmacêutico...
A impressão que tive é que o tema veio para ficar! Mas a maior dúvida ainda é: como implementar Open Innovation?

sábado, 7 de junho de 2008

Open Innovation e Venture Capital – Palestra na FGV

No dia cinco de junho, o André Saito e eu realizamos uma palestra aberta na FGV para discutir com um público de cerca de 60 pessoas - especialmente estudantes, professores e empreendedores interessados no tema de Inovação e Venture Capital,a relação entre o modelo Open Innovation e o Venture Capital. O evento foi organizado pelo GVcepe (Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas), Forum de Inovação e Allagi.

Os principais pontos discutidos com público foram:

(1) O Closed Innovation (integração vertical do P&D) foi uma abordagem de sucesso adotada pela empresas para o desenvolvimento de inovações radicais (Chandler 1991) e (Leifer et al, 2000). Consideramos a seguinte definição de inovação radical: (a) novo para o mundo em termos de características de desempenho, (b) melhora significante em características conhecidas (5-10 vezes) e (c) redução significativa de custos (30-50%)

(2) O crescimento do Venture Capital é um dos grandes fatores de erosão do Closed Innovation e favorece a criação de um ambiente de Open Innovation (Chesbrough, 2003)

(3) A lógica do investidor de Venture Capital é buscar negócios de alto impacto (grande potencial de crescimento) aceitando maiores riscos.

(4) O sucesso da indústria de Venture Capital depende da existência de um ecossistema similar ao ecossistema que sustenta o Open Innovation:

Para que uma indústria de Venture Capital exista em um determinado sistema é necessário que haja um ambiente onde estejam presentes os seguintes elementos: disponibilidade de fomento a pesquisa e desenvolvimento tecnológico, ou seja, universidades e agências de fomento; um ambiente que suporte novos empreendimentos como incubadoras de empresas e parques tecnológicos; volume de empreendedores e pessoas dispostas e capazes para deixar suas carreiras e aventurar-se em criar novos empreendimentos; opções de saídas para o investidor Venture Capital como grandes empresas e mercado de capitais; investidores institucionais e gestores de fundos de Venture Capital, e, naturalmente, assessores, advogados e consultores especializados para viabilizar todo esse processo.
Do outro lado, o que Chesbrough propõe como fatores de erosão do Closed Innovation e, portanto, é o que sustenta o surgimento do Open Innovation são: aumento da mobilidade de mão-de-obra qualificada; aumento da qualidade de formação de especialistas em todo o mundo; melhora do nível e participação das universidades e centros de pesquisa no desenvolvimento tecnológico; surgimento de mercado intermediário de inovação e comunidades de inovação; maior distribuição do “trabalho da inovação”; a ruptura de posições de oligopólios tradicionais; a diminuição da hegemonia dos EUA e Europa, e o fortalecimento e acentuado crescimento da indústria de Venture Capital.

(5) Estamos vendo grandes empresas adotando práticas de Open Innovation associadas diretamente à indústria de Venture Capital para a geração de inovações radicais. Em nossa apresentação, discutimos alguns exemplos e iniciativas de Open Innovation de empresas como Cisco, Procter&Gamble, IBM, Intel, Xerox, Google e Microsoft que se aproximam do Venture Capital e propõe trabalhar em conjunto com empreendedores externos para a criação de inovação.

(6) Terminamos a apresentação discutindo se no Brasil também está se configurando um ambiente propício para o surgimento de iniciativas similares.

O material apresentado segue abaixo:





Chandler, A. D., Jr. (1991). Scale and Scope: The Dynamics of Industrial Capitalism. Cambridge, MA: Belknap Press.
Chesbrough, H. (2003). Open Innovation: The New Imperative for Creating and Profiting from Technology, Boston, MA: Harvard Business School Press.
Leifer, R. et all (2000). Radical Innovation: How Mature Companies Can Outsmart Upstarts. Boston, MA: Harvard Business School Press.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

CNPq regulamenta política de propriedade intelectual

O CNPq acaba de regulamentar a atribuição de direitos sobre criações intelectuais, originadas a partir de auxílios e bolsas concedidos pela Agência, e a participação nos ganhos econômicos decorrentes da exploração de patente ou direito de proteção.

Com esta política, o CNPq espera promover a proteção do conhecimento e a transferência de produtos e processos, obtidos no ambiente acadêmico, para o setor produtivo.

Várias modificações no cenário legal e científico brasileiro demandavam uma atualização e uma revitalização da política de Propriedade Intelectual do CNPq, entre as quais se destacam a entrada em vigor da Lei de Inovação e a conseqüente criação de Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) nas instituições de ensino e pesquisa brasileiras.

Após várias reuniões e discussões, realizadas ao longo de mais de dois anos, das quais participaram gestores de inovação das mais renomadas instituições de pesquisa e ensino brasileiras, definiu-se a norma de propriedade intelectual que já se encontra em vigor. Este processo foi coordenado pela vice-presidente do CNPq, Wrana Panizzi, em colaboração com a Procuradoria Federal junto a esta agência.

De acordo com a norma, a titularidade da patente caberá à instituição na qual as pesquisas são realizadas, e ao CNPq caberá, na condição de agência de fomento, uma participação nos ganhos econômicos eventuais resultantes da exploração comercial das criações protegidas.

O texto completo da Resolução Normativa 013/2008 pode ser acessado em http://www.cnpq.br/normas/rn_08_013.htm.

Assessoria de Comunicação Social do CNPq