sexta-feira, 11 de julho de 2008

Allagi Open Innovation

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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Relacionamento, colaboração e feedback - Parte I

Por falta de profundidade e referências, o modelo de funcionamento da internet é comumente confundido com o socialismo. Como explicar, usando a expectativa da economia de Mercado, que 50 mil pessoas contribuam regularmente e sem pagamento para produzir uma enciclopédia livre? É o fim do capitalismo?Certamente não é o que pensam os investidores.
Para a maioria das pessoas, entretanto, não é fácil entender essas mudanças. Elas vão contra as nossas mais básicas intuições de Economia - intuições baseadas numa economia industrial, numa época em que a única alternativa vista como séria era o Comunismo estatal. Coloco, a seguir, o primeiro de alguns exemplos que irei tratar. São casos diferentes, mas que tem o mesmo princípio. Todos demonstram que a internet pode ser eficiente quando tratada exatamente como como ela é:como um modelo aberto, baseado no feedback entre as relações que a produção colaborativa autoriza.

Vou utilizar o clássico exemplo das gravadoras de música, que supostamente é o segmento mais prejudicado pela troca de pacotes digitais na rede. Nesse caso, modelos abertos têm se mostrado vantajosos para criar frentes de trabalho para profissionais e artistas que não são aproveitados pela indústria estabelecida.
O site Sellaband, por exemplo, lançado em 2006 por um ex-executivo de gravadora, oferece uma solução comercialmente viável para a produção de álbuns sem interferir na livre troca de arquivos. O projeto tira proveito da redução de gastos para a comunicação e coordenação oferecidas pela Web para estabelecer parcerias produtivas entre profissionais da área, artistas e consumidores.
Pela Sellaband, a banda que vender cinco mil “partes de seu projeto de gravação recebe um pacote de serviços que inclui produtor, estúdio e assessoria. As bandas devem criar um perfil e carregar no site algumas das faixas que já tenham gravadas para atrair “believers”(mistura de fã e patrocinador). Cada parte é vendida a US$10, fornecendo à banda US$50 mil para gravar, produzir e mixar o album. Quando a meta é atingida, os “believers”se tornam parceiros da banda e recebem um percentual da receita gerada através da publicidade atraída pelo número de downloads gratuitos no site. Desde o seu lançamento, pelo menos 8 bandas alcançaram a meta, três européias e uma norte-americana.
No próximo post, continuarei citando exemplos práticos de modelos de negócios que envolvem relacionamento, feedback e colaboração na rede.

domingo, 6 de julho de 2008

INPI, Finep e Fapesp na “rota do Open Innovation”

O Open Innovation Seminar 2008 contou com um grande apoio e interesse no modelo de inovação aberta manifestados pelos órgãos públicos envolvidos com o processo de inovação. Universidades públicas, Fapesp, FINEP e INPI estão considerando o Open Innovation como um modelo relevante para o Brasil, envolvendo empresas, institutos de pesquisa, governo e fundos de investimento.

Diversas notícias publicadas nas últimas semanas têm refletido esse interesse. Segundo o INPI, o “Brasil favorece a inovação aberta”, pois o cenário nacional (legislação, incentivos fiscais, universidades de qualidade e empresas dispostas a trabalhar em parceria) é propício para a adoção de práticas de Open Innovation.

A FINEP já se considera “na rota do Open Innovation”. Como citou Eduardo Costa, Diretor de Inovação da instituição, “existe um grande volume de capital para ser investido em inovação na FINEP. Precisamos de mais programas e idéias, como as que norteiam o Open Innovation”.

Para a Fapesp, a grande contribuição do Open Innovation é a criação de “Redes Inovativas”, destacando que as agências de fomento “têm como seus principais objetivos a promoção de parceria da universidade com o setor produtivo e facilitar as atividades de propriedade intelectual da universidade”.

Tudo isso tem conseqüências muito positivas. Esses efeitos mostram que as propostas de projetos colaborativos dentro do modelo do Open Innovation estão sendo bem vistas por essas agências e que as empresas que se estruturarem nesse sentido serão bem compreendidas.

Essa é mais uma vantagem do modelo desenhado por Henry Chesbrough: ele propõe uma terminologia e definições que permitem que certos conceitos tenham o mesmo entendimento por grande parte dos agentes envolvidos (empresas, universidades e governo), viabilizando e facilitando a criação de parcerias e relacionamentos tão necessários a um processo aberto de inovação.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Pequenas empresas investem mais em P&D - Parte II

Por Bruno Rondani

Seguem os principais pontos comentados pela Daiane no post "Pequenas empresas investem mais em P&D".

1) É clara a idéia que o open innovation é um modelo colaborativo e beneficia todos os agentes envolvidos. No entanto é menos clara a seqüência de eventos em que isso ocorre e a posição dos agentes envolvidos.O que significa dizer que o P&D nas pequenas empresas subiu de 4,4% para 22,5%? Se a importância dessas empresas é indiscutível, a sua posição não parece tão óbvia. Seria possível um modelo em que existissem apenas pequenas empresas? Ou no open innovation sempre existe uma demanda por tecnologia de um agente líder que inicia o movimento em todo o sistema e promove o desenvolvimento tecnológico nos agentes contribuintes?

2) O open innovation funcionaria num ambiente sem o agente líder? Num ambiente sem grandes empresas ou governo demandando tecnologia? Quantas empresas no Brasil seriam capazes de assumir o papel do agente líder?

3) O caso das compras governamentais também não pode ser tomado como potencial. Ainda que tenham propiciado o crescimento da Omnisys, é fato concreto que desde sempre o governo atua de forma incipiente nesta área.Assim, mesmo que o modelo seja genérico e aplicável a qualquer país seu sucesso dependerá, em grande medida, do número de agentes lideres capazes de iniciar o movimento colaborativo de expansão da inovação.

Vou tentar oferecer uma resposta para os pontos que você levantou. Antes, faço um resumo para verificar se o entendi bem.

De acordo com sua compreensão, o modelo Open Innovation parece pressupor a existência de um agente líder demandante de tecnologia para que as pequenas empresas de base tecnológica possam integrar o modelo, contribuindo para a expansão da inovação.

O que entendo do modelo de Open Innovation sobre essa questão é o seguinte: as pequenas empresas estão sendo cada vez mais bem sucedidas em desenvolver inovações. Isso se reflete no aumento de sua participação nos investimentos privados em P&D nos EUA e aumento dos investimentos em venture capital.A inovação não está mais concentrada nas grandes corporações. Como diz Chesbrough: o "jogo da inovação está mais equilibrado".

Sendo assim, o que devem fazer as empresas líderes? Investir mais e mais em P&D para criar barreiras maiores de entrada e, desta forma, assegurar seu papel de líderes? É exatamente isso que o modelo de Closed Innovation pregou: invista em grandes laboratórios de P&D e ganhe com a economia de escala e escopo (Chandler).

O que está ocorrendo é o oposto, as empresas líderes estão cada vez mais recorrendo à tecnologia desenvolvida pelas pequenas empresas. Alimentadas pela indústria de venture capital, essas pequenas empresas inovadoras devem oferecer opções de saída para os seus investidores. IPO ou aquisição por parte de uma empresa maior são as opções mais visadas.

O que o modelo propõe, então, às grandes empresas? Ele propõe que as grandes empresas reconheçam que as pequenas empresas podem ser uma grande ameaça ou uma grande oportunidade para o seu negócio. Isto é, as grandes empresas devem ficar mais atentas ao surgimento de inovação nas pequenas empresas.

E para as pequenas empresas, o que o modelo propõe? O modelo indica que a parceria com uma grande empresa pode ser uma boa alternativa para remunerar o investimento em P&D feito pela pequena firma.E para o Brasil, que não tem mais do que um punhado de pequenas empresas inovadoras e uma dezena de firmas globais, o que o Open Innovation propõe?

Se formos responder a essa questão utilizando dados passados, reconheço que a resposta deveria ser: não, o modelo não é aplicável ao Brasil. Faltam as premissas básicas para qualquer modelo de inovação: pouco investimento em P&D nas empresas, poucas empresas líderes globais, pouco empreendimento de base tecnológica de sucesso, pouca demanda de tecnologia pelo governo, etc.

Mas não devemos responder a essa pergunta com base somente no passado. Devemos observar a atual situação do país e, mais ainda, aonde estamos indo.O modelo de inovação aberta indica que é através da articulação de recursos internos e externos a inovação será mais rápida e eficazmente alcançada.

O governo já sinalizou, a inovação está na pauta das políticas públicas. Pequenas empresas de base tecnológica estão sendo contempladas com a subvenção econômica, PRIME, juro zero, fundos públicos e privados de seed capital, venture capital, programas de fomento das FAPs, incubadoras de empresas nas universidades e cursos de capacitação para empreendedores. Grandes empresas foram contempladas com a Lei do Bem, subvenção econômica e linhas de financiamento público a juros baixos para inovação. As universidades foram contempladas com a Lei de Inovação, criação dos NITs, Lei do MEC e editais de parceria universidade-empresa.

Isso se parece com o que propõe o Open Innovation? Ao meu ver, sim! O governo está agindo como agente líder aqui!

Vamos analisar o caso da Omnisys, já que você citou:

A Omnisys nasceu em 1997, por um empreendedorismo de necessidade. Ex-engenheiros da antiga Elebra foram "terceirizados" depois de uma crise. Como é comum nesses casos, a Omnisys quase deixou de existir quando a Elebra, sua única cliente, faliu em 2000. Sem desistir, seus engenheiros resolveram levar a cabo a empresa e foram atrás do mercado deixado pela Elebra.

Em 2001 a Omnisys conseguiu seus primeiros contratos diretos com a Aeronáutica brasileira e, a partir dos bons trabalhos realizados, não pára de crescer. Em 2003 decidiu desenvolver um equipamento de alto conteúdo tecnológico e conseguiu para essa empreitada o apoio do IPT, Unicamp e Fapesp. Com isso, a Omnisys estruturou seu centro de P&D e passou a fornecer cada vez mais tecnologia para seus clientes governamentais. A evolução tecnológica foi tão expressiva que o gigante Grupo Thales (mais de 65 mil funcionários) propôs uma parceria com a pequena empresa para desenvolver em conjunto uma nova linha de radares.

Na época a Omnisys contava com apenas 180 funcionários. Em 2006 a Thales oficializou a compra de 51% das quotas da Omnisys, manteve seus fundadores na gestão da empresa e não colocou nenhum diretor francês na operação.

A partir daí, a Omnisys passou a ter uma agenda global dentro do Grupo Thales, identificando oportunidades de inovação para todo o grupo. Nesse processo a Omnisys, ao invés de se tornar uma filial para comercialização dos produtos franceses no Brasil, passa e ser uma parceira global do P&D do Grupo Thales e participa de projetos de inovação para outros países da América Latina, Ásia e, até mesmo, da Europa.

O que ocorreu aqui? Não houve pressão por parte dos funcionários da Thales para transformar a Omnisys em apenas um ponto de vendas com suporte técnico local? Claro que sim. E qual foi o segredo para os fundadores da Omnisys conseguirem manter a estratégia inicial de ser um parceiro global de P&D do grupo? Conforme admitido pelos próprios franceses:

- Foi a qualificação dos engenheiros da Omnisys

- Foi a articulação do P&D da Omnisys com centros de pesquisa e universidades que aumentaram muito a sua capacidade de inovar

- Foi a disponibilidade de recursos de fomento e financiamento à inovação no país

- Foi a existência de incentivos fiscais para inovação disponíveis no Brasil

Ou seja, foi a bem sucedida aplicação do modelo Open Innovation e a robustez do Sistema Nacional de Inovação do país que possibilitaram essa conquista.

Acredite se quiser!